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IA generativa: eficiência operacional ou intensificação estrutural do trabalho?

A agenda dos Conselhos tem tratado a IA como vetor prioritário de produtividade, escala e vantagem competitiva. E, acredito de forma correta.

Mas uma evidência recente merece atenção estratégica.

A Harvard Business Review publicou o artigo “AI Doesn’t Reduce Work — It Intensifies It” (Aruna Ranganathan e Xingqi Maggie Ye), com base em um estudo de oito meses em uma empresa de tecnologia:
https://hbr.org/2026/02/ai-doesnt-reduce-work-it-intensifies-it

O achado é provocativo: embora a IA aumente a produtividade individual, ela não necessariamente reduz a carga de trabalho. Em muitos casos, observou-se:

•  Expansão do escopo das atividades
•  Maior intensidade cognitiva
•  Fronteiras mais difusas entre trabalho e descanso

Quando barreiras técnicas caem, a régua sobe.
Quando a produtividade aumenta, as expectativas também.

A pergunta estratégica para Conselhos não é apenas:

✔️ Qual o ROI da IA?

Mas também:

✔️ Qual o impacto da IA na arquitetura do trabalho?
✔️ Estamos redesenhando prioridades — ou apenas acelerando o modelo atual?
✔️ Esse novo ritmo é sustentável no médio prazo?

Governança de IA não pode se limitar a risco, compliance ou investimento.
Ela envolve desenho organizacional, alocação de capacidade e sustentabilidade da performance.

Eficiência sem intencionalidade pode se transformar em intensificação estrutural.

A discussão sobre IA nos Conselhos precisa evoluir de adoção tecnológica para governança do trabalho.

Esse é o próximo nível do debate.

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